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Lendas de Montenegro

Lenda sf. 1. Tradição popular - 2. Narração de caráter maravilhoso, em que os fatos históricos são deformados pela imaginação do povo ou do poeta; legenda -3. Ficção, fábula.

(Fonte: Dicionário da Língua Portuguesa, Aurélio Buarque de Holanda-3a ed- Ed. Nova Fronteira)

 

 

Montenegro é um município repleto de lendas e histórias interessantes. "Sendo a Cidade das Artes", é natural que a imaginação do povo seja especialmente rica. Além de preservar a memória do passado, os fatos ou "causos", foram ampliados e re-significados, constituindo a nossa cultura e tradição.

 

 

O GIGANTE DE PEDRA


            Há muitos anos, antes da descoberta do Brasil, a região de Montenegro era habitada por índios, e tinha uma grande diversidade de animais e flores. Vivia entre as árvores do Vale do Caí um Gigante, do qual os índios fugiam assustados. Nem os pássaros chegavam perto dele, pois seu enorme tamanho a todos assustava.


            O Gigante andava muito, sempre destruindo alguma coisa. Um dia um forte temporal atingiu a região, forçando o gigante a parar no meio do vale. O seu enorme corpo protegeu a vegetação e os habitantes do lugar, mas o esforço o deixou muito cansado. Quando ele se deitou para descansar, estendendo eu corpo no chão, um espírito da floresta o transformou em pedra.

 

            Visto de longe, o conjunto de elevações que estão no centro de Montenegro remetem as formas do Gigante: o Morro da Pedreira (a cabeça), o Morro São João (o corpo, com sua enorme barriga e seus braços), e o Morro dos Fagundes, também conhecido como Morro da Formiga (as pernas e os pés).

 

           Até hoje o Gigante dorme, coberto pela terra e vegetação, protegendo os montenegrinos da força dos ventos e tornando a paisagem do município mais bela.

 

 

A CRUZ DE FERRO

 

Dizem que perto do Morro Fagundes há um lugar coberto de flores onde repousa uma Cruz de Ferro. Reza a lenda que um homem encontrou um tesouro em Montenegro e, como não tinha família nem amigos com quem dividir sua riqueza, a enterrou. Para marcar o local, usou uma barra de ferro, com a qual fez uma cruz e a colocou sobre um pedestal. Após demarcar o esconderijo, plantou flores muito estranhas ao seu redor.

 

A história se espalhou rapidamente e muitas pessoas saíram em busca do tesouro da Cruz de Ferro com pás, picaretas e outras ferramentas. Seguindo por um atalho, o grupo passou por muitas dificuldades até encontrar a cruz. A jornada levou quase uma semana.

 

Ao se aproximarem da Cruz, o grupo foi surpreendido por uma voz que parecia vir da terra. Apavorados, deixaram as jóias para trás e saíram em disparada.

 

O tempo passou e outros fatos ocuparam a imaginação da comunidade montenegrina, e a Cruz de Ferro caiu no esquecimento. Dizem que as flores foram entregues ao homem por um padre, que afirmava serem ¿sagradas¿. Há relatos de pessoas que afirmam ter visto um jesuíta perto da Cruz à noite. No entanto, ainda há quem acredite que a riqueza continua enterrada no local.

 

 

O MORRO DA MARIAZINHA

 

Segundo os antigos, o Morro da Mariazinha é um local propício a alguns acontecimentos estranhos. Contam que padres jesuítas foram perseguidos e fugiram em suas canoas seguindo o curso dos rios. Alguns deles teriam chegado até as proximidades de Montenegro pelo rio caí, aportando no Morro da Mariazinha. Ao desembarcar procuraram um refúgio. Entraram em uma caverna dentro do Morro, que se tornou sua residência e capela de orações.

 

Os jesuítas trouxeram uma valiosa carga: um grande tesouro que seria usado para a construção de uma igreja. Como proteção, camuflaram a entrada da gruta para se proteger de estranhos. Com o tempo se afeiçoaram ao local e decidiram ficar. Começaram a catequizar os índios da região. Nas pedras do Morro, inscreveram e revestiram com o ouro que haviam trazido a ¿capela¿ da gruta, mas a maior parte do tesouro foi escondida.

 

Mas os tempos de paz duraram pouco e os jesuítas, por razões desconhecidas, desapareceram. Dizem que a gruta enfeitada de ouro permaneceu intocada, mas o tesouro não foi encontrado até hoje.

 

Há relatos de que, na subida do morro, há uma porta esculpida numa pedra, em estilo romano. Próximo à porta estaria um grande tronco que serve de morada para um casal de gigantescas cobras venenosas que protegem a entrada da gruta. Segundo a lenda, aquele que conseguir matar as cobras poderá encontrar o tesouro, mas terá de ir sozinha.


           Muitos já tentaram encontrar a porta, mas fracassaram e ficaram terrivelmente perturbados. Relatam que ouviram ruídos estranhos, sons de animais, e urros de dor capazes de petrificar até os mais corajosos. Tomados de verdadeiro pavor, afirmaram que o local é assombrado.


           Os que conseguiram ir mais adiante afirmam que não é possível adentrar na caverna devido à escuridão. Quando alguém tenta acender alguma tocha, vela ou lanterna, ela se apaga misteriosamente. Ao mesmo tempo, um vento forte sopra do interior da gruta. Diversas pessoas morreram no local, caindo de algum local misterioso do Morro da Mariazinha nas águas do rio Caí. A margem do Morro tem um platô de pedra oculto pelas águas que engana também aos mergulhadores: quando pensam que o seu salto será em águas profundas, batem contra as pedras escondidas.

 

 

O TESOURO DA CORRENTE SEM FIM

 

Há uma história estranha sobre um local abaixo das ruínas da ponte da Mariazinha, onde passava os trilhos da Viação Férrea, no lado oeste do Morro de mesmo nome. Dizem que há uma corrente de ferro mergulhada nas águas do rio Caí. Ela só pode ser vista em períodos de seca, quando o nível do rio baixa.

 

Dizem que um dos padres jesuítas que fixaram residência no local encontrou um misterioso baú, contendo riquezas inimagináveis. Corrompido pela cobiça, ele guardou a descoberta em segredo. Misteriosamente, conseguiu uma grossa corrente de ferro e a prendeu no lado oeste do Morro, no paredão de pedras. Inacreditavelmente, o jesuíta introduziu a corrente dentro do morro, fixando uma das pontas no topo. Na outra extremidade prendeu o estranho baú, que foi jogado no rio.


             O padre escondeu o baú para garantir que seu achado não fosse roubado. A corrente indicaria o local e evitaria que a correnteza levasse o cofre. Porém, o padre contou a uma pessoa sua história e faleceu pouco tempo depois de terminar seu trabalho, decapitado. O que ele não revelou foi como retirar o baú do fundo do rio.


             Dizem que o baú continua no mesmo local, apesar de muitos terem se arriscado a tentar retirá-lo. Os que se tentaram dizem que o local é mal assombrado, que o espírito do padre anda por lá para proteger o seu tesouro. Quando o rio está baixo, a corrente na pedra se torna visível. Nessas ocasiões o jesuíta aparece, sem a cabeça, sentado sobre a laje, onde mantém a sua eterna vigilância.

 

             Diversos afogamentos aconteceram naquela região. Excetuando-se as mortes, o local é mais envolto em dúvidas e mistérios do que fatos. Dizem que os barulhos assustadores de correntes podem ser ouvidos e que a laje se move para jogar as pessoas no rio. Porém, é inegável que nunca conseguiram retirar a corrente do rio nem encontrar o seu fim, apesar das inúmeras tentativas.

 

 

A LAGOA ENCANTADA

 

No caminho para o Morro da Mariazinha há uma lagoa que tem a fama de ser assombrada. Nas suas margens se podia ver, em certas épocas do ano, estranhos pescadores. Altivos e silenciosos, eles retiravam das águas inúmeros peixes que deixavam nas margens. Pareciam não ver ninguém ao seu redor, de tão ocupados a pesca.  Mas se alguém tentava pescar no mesmo local não consegui conseguia pegar nenhum peixe.

 

Os estranhos e silenciosos pescadores eram fantasmas e, quando alguém se aventura a pescar no seu local, os peixes desaparecem.  Dizem que a lagoa não tem fundo, porque ninguém conseguiu encontrá-lo. Os fantasmas são protetores da lagoa e por isso as pessoas que tentam prejudicar suas águas são atacadas pelos fantasmas.



O CAVALO BRANCO

 

Havia uma grande fazenda nas proximidades da estação ferroviária. Seu proprietário tinha uma grande fortuna que acumulou com anos de muito trabalho. Ele tinha um cavalo branco que era o único ser no qual confiava. Um dia o fazendeiro precisou viajar, mas ficou com receio de que o roubassem. Então colocou toda a sua riqueza em uma caixa e saiu com o cavalo.

 

O fazendeiro cavalgou até chegar a uma figueira, que existe nas proximidades da RS 287, próximo a Avenida Júlio Renner, onde enterrou a caixa, deixou o cavalo como vigia e seguiu viagem. Os anos passaram e o fazendeiro não voltava, mas o cavalo permanecia em seu posto. Não se sabe o que aconteceu ao homem, mas o fato é que ele nunca mais voltou. E o cavalo morreu onde seu dono o havia deixado.

 

Dizem que sua vigilância continua mesmo após a morte. Quando alguém se aproxima do local para tentar encontrar o tesouro que está sob as raízes da figueira, aparece o Cavalo Branco ameaçando matar o ladrão com coices ferozes. Há quem afirme que nas sextas-feiras, depois da última badalada da meia-noite, é possível ver o Cavalo Branco. Eles o chamam de ¿Cavalo Imortal¿, porque ele parece disposto a continuar a espera pelo retorno de seu velho dono.

 

 

O LOBISOMEM

 

Em algum lugar entre Montenegro e o povoado de Benfica, no município de Triunfo, há um tesouro enterrado. Certa vez, uma pessoa sonhou descobria o lugar do tesouro com os seus amigos. Sem perder tempo, convidou-os a procurar o local, reunindo as ferramentas necessárias, como pás e lampiões.

 

Quando chegaram ao lugar não perderam tempo e iniciaram a escavação. Assim que o buraco já tinha um considerável tamanho e profundidade e eles haviam se cansado, algo terrível aconteceu. Na beira do buraco surgiu um ser enorme, meio cão e meio cavalo, que os observava atentamente. Apavorado, o grupo correu em diversas direções. O animal correu campo afora, batendo nas cercas tentando arrebentá-las. Após este episódio, nenhum dos amigos retornou ao local.

 

Há quem diga que o lobisomem foi visto mais vezes no interior de Montenegro, especialmente nas noites de sexta-feira, ameaçando as pessoas. Outros afirmam ter visto um bicho enorme, meio homem, meio animal, peludo, com dentes grandes, que mata o gado chupando-lhe o sangue. Há relatos de que ele apareceu em um baile no interior, na forma de um enorme porco que atacou as pessoas.

 

Os mais antigos habitantes das margens do arroio do Gil contam que era comum aparecer por ali um terneiro manso. Quando se aproximavam dele, este desaparecia repentinamente. Era o lobisomem. As pessoas que o encontravam, definhavam aos poucos até a morte.

 

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